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Repensando o mundo: Caminhos para a busca de alternativas

Eduardo de Lima Caldas

01/01/2011

Os tempos são de guerra, tristeza e desilusão. Nos últimos vinte anos assistimos a expansão e a consolidação de um pensamento único que hoje é quase hegemônico dentro do sistema democrático mundial. A falta de imaginação de governos reformistas na construção de novas alternativas e o poder de intimidação exercido pelos organismos de disseminação deste pensamento difundiram entre os cidadãos dos países em desenvolvimento a idéia de que qualquer mudança de rumo adotada significaria uma “aventura” com graves conseqüências para sua população.

Foi no liberalismo em que as esferas do poder político e do poder econômico foram definitivamente separadas. As novas dinâmicas das últimas décadas, onde as corporações cresceram e tornaram-se globais, desterritorializadas, transcendendo as fronteiras dos países estão no centro do processo de brutal concentração do capital que move o mundo globalizado e opera a ampliação da assimetria de forças entre o poder político e o econômico. Hoje quase toda humanidade é, em certa medida, absorvida pelas redes da exploração capitalista e a elas subordinada. Assistimos impotentes uma separação ainda maior entre uma pequena minoria que controla enormes riquezas e multidões que vivem na pobreza.

Na procura de saídas para esse constrangimento, grande parte do pensamento crítico, tanto nos países dominantes como na periferia, procurou estabelecer a criação de espaços de resistência baseados em identidades e organizações sociais que fariam a disputa de poder político-econômico no plano local. Entretanto, essa estratégia foi ineficaz, pois partiu de um pressuposto equivocado que considerava as identidades e os arranjos produtivos locais autônomos. Com isso, na prática, os valores que guiam a mudança social correm o risco de serem cooptados por serem externos às instituições do poder global. Ao invés de transformações nas instituições, observaríamos a reprodução da lógica capitalista em escala localizada dificultando o entendimento do fenômeno, encobrindo as possibilidades de resistência e negando as alternativas reais de emancipação dentro da própria lógica da dominação.

Para superar esse impasse, somente a utilização de uma abordagem crítica para analisar as dinâmicas globais visando a desconstrução como forma de destruir os discursos e as estruturas sociais hegemônicas poderia revelar uma alternativa. A abordagem crítica necessita desconstruir ideologicamente e materialmente a ordem hegemônica, enfrentando os discursos e suas respectivas estruturas de autolegitimação para que possa salientar as contradições e crises do sistema, já que a desconstrução histórica do capitalismo globalizado abre possibilidades de organizações sociais alternativas. Porém, ainda assim, não seria suficiente. O passo posterior a desconstrução seria o uso de uma abordagem propositiva e política com intenção de afirmar a existência de um novo poder.

Dessa maneira, o primeiro passo é resistir, criticar, dizer não! Lutar por um mundo não mais baseado em valores individualistas. Não aceitar uma sociedade estruturada em torno da produtividade, da competitividade e de valores de mercado que joga no desemprego e na miséria milhares de trabalhadores todos os dias. Não ao desrespeito aos direitos humanos e à sociedade de consumo que polui e degrada o meio-ambiente! O segundo passo é de mobilização de forças coletivas em torno de um conjunto de valores que crie condições para o novo ordenamento. Valores como solidariedade, pluralidade, respeito, confiança, justiça social e igualdade deverão ser afirmados.

Da maneira de superar esse paradigma, depende não só o futuro do Brasil, como o futuro do mundo. Somente a mobilização de força intelectual, moral, ética e política que combata o pensamento único terá como lutar pelo poder em nome de um grande e novo projeto de democratização da democracia, gerando oportunidades e fontes de energia, esperança e sonhos que alimentarão a humanidade por mais muitos anos.

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